A nova epidemia do varejo
O varejo sempre teve modinhas.
Já foi o logo dourado.
Já foi o logo minimalista.
Já foi o Instagram perfeito.
Já foi o atendimento por WhatsApp.
Já foi o TikTok.
Já foi o influenciador.
Já foi o chatbot.
Já foi a inteligência artificial.
Agora é difícil encontrar uma empresa que não esteja correndo atrás da próxima tendência.
E é justamente aí que nasce a Marca Mounjaro.
Aquela empresa que segue todas as tendências, copia todas as referências, adota todos os modismos e, no processo, emagrece tanto sua identidade que ninguém mais consegue reconhecer quem ela é.
A empresa que vende tudo para todo mundo
A Marca Mounjaro tem uma característica interessante.
Ela nunca sabe exatamente quem é.
Mas sabe exatamente quem está fazendo sucesso naquele momento.
Se a concorrência está falando de propósito, ela fala de propósito.
Se a concorrência está falando de inovação, ela fala de inovação.
Se a concorrência está falando de sustentabilidade, ela fala de sustentabilidade.
Se a concorrência está falando de experiência do cliente, ela fala de experiência do cliente.
Ela muda tão rápido que nem os próprios colaboradores conseguem acompanhar.
A cada trimestre surge uma nova missão.
A cada semestre surge um novo posicionamento.
A cada ano surge uma nova identidade visual.
E a única coisa que permanece é a falta de consistência.
A dieta da identidade
Durante muito tempo as marcas buscavam diferenciação.
Hoje muitas parecem disputar quem consegue ser mais parecida com as outras.
Basta abrir o Instagram de qualquer segmento.
As cores são parecidas.
Os slogans são parecidos.
Os vídeos são parecidos.
Os argumentos são parecidos.
As promessas são parecidas.
As legendas parecem ter sido escritas pela mesma pessoa.
Talvez tenham sido.
O problema é que, quando todo mundo parece igual, o cliente deixa de perceber diferenças.
E quando não percebe diferenças, escolhe pelo preço.
O laboratório das tendências
Existe uma reunião acontecendo agora em alguma empresa.
Alguém acabou de dizer:
“Precisamos fazer o que está dando certo.”
A frase parece inteligente.
Mas quase sempre é perigosa.
Porque aquilo que está dando certo para outra marca normalmente é consequência da estratégia dela.
Não da sua.
A empresa vê um vídeo viral.
Copia.
Vê uma campanha viral.
Copia.
Vê uma linguagem viral.
Copia.
Vê um influenciador viral.
Contrata.
Meses depois descobre que viralização e posicionamento são coisas diferentes.
O varejo da fantasia
A Marca Mounjaro está sempre saudável nas redes sociais.
Na internet ela é inovadora.
No LinkedIn ela é visionária.
No Instagram ela é inspiradora.
No site ela é líder de mercado.
Na apresentação comercial ela é referência nacional.
Só existe um pequeno detalhe.
O cliente real não encontra nada disso quando compra.
E aí acontece algo extremamente inconveniente.
A experiência começa a conversar com a propaganda.
E a experiência quase sempre ganha a discussão.
O efeito colateral das tendências
Toda tendência tem prazo de validade.
Toda moda passa.
Todo algoritmo muda.
Toda plataforma envelhece.
Mas muitas empresas tratam tendências como se fossem estratégia.
Não são.
Estratégia é decidir quem você é.
Tendência é decidir como você vai se comunicar hoje.
Confundir uma coisa com a outra costuma produzir resultados caros.
Muito caros.
O algoritmo não compra
Essa talvez seja uma das lições mais ignoradas do marketing moderno.
O algoritmo não compra.
O feed não compra.
A curtida não compra.
O alcance não compra.
Quem compra são pessoas.
E pessoas ainda observam coisas antigas e inconvenientes.
Confiança.
Reputação.
Coerência.
Qualidade.
Entrega.
Relacionamento.
Uma empresa pode conquistar milhares de visualizações.
Mas continuará perdendo mercado se não conseguir construir credibilidade.
Menos tendências, mais identidade
As marcas mais fortes do mundo não são necessariamente as mais modernas.
São as mais consistentes.
Elas não correm atrás de toda novidade.
Não mudam de personalidade a cada trimestre.
Não reinventam a própria essência toda vez que surge uma nova plataforma.
Elas sabem quem são.
Sabem para quem vendem.
Sabem o que defendem.
E sabem o que não defendem.
Talvez esse seja o verdadeiro antídoto para a síndrome da Marca Mounjaro.
Porque, no fim das contas, clientes não se apaixonam por tendências.
Eles se conectam com identidade.
E identidade é justamente aquilo que muitas empresas estão emagrecendo para caber na moda do momento.





